É muito comum que pacientes cheguem à consulta pré-operatória com dúvidas, inseguranças e medo, especialmente quando o procedimento envolve anestesia geral.
Esse receio é legítimo. Muitas vezes, ele nasce da falta de informações claras sobre o preparo, os riscos e os cuidados necessários antes da cirurgia.
Existem situações que podem aumentar a possibilidade de intercorrências durante ou após o procedimento. Por isso, falar sobre esses fatores com transparência é fundamental para que a equipe possa planejar a cirurgia com mais segurança.
Um pré-operatório bem conduzido começa com informação, avaliação e comunicação honesta.
A preparação para a cirurgia não começa no centro cirúrgico
Os cuidados pré-operatórios envolvem muito mais do que realizar exames e comparecer ao hospital no horário marcado.
Nas semanas que antecedem a cirurgia, fatores como alimentação, hidratação, uso de medicamentos, suplementos, hormônios, produtos naturais e hábitos de vida podem interferir na resposta do organismo.
Por isso, decisões tomadas com a intenção de “melhorar o resultado” podem produzir o efeito contrário quando não são orientadas pela equipe responsável.
Dietas restritivas antes da cirurgia podem comprometer a recuperação
Recentemente, compartilhei o caso de uma paciente que, na tentativa de chegar mais magra à cirurgia, realizou uma dieta extremamente restritiva durante a semana anterior ao procedimento.
Ela chegou ao centro cirúrgico com importante comprometimento nutricional. No pós-operatório, apresentou hipotensão persistente, mal-estar intenso e precisou receber cuidados adicionais, incluindo transfusão.
Esse exemplo reforça um ponto essencial: o organismo precisa chegar à cirurgia preparado para enfrentar o procedimento e iniciar o processo de cicatrização.
Restringir drasticamente a alimentação, iniciar dietas radicais ou realizar jejuns não orientados pode prejudicar:
- o equilíbrio metabólico;
- a manutenção da pressão arterial;
- a resposta à anestesia;
- a cicatrização;
- a recuperação dos tecidos;
- e a disposição no período pós-operatório.
A alimentação antes da cirurgia deve seguir as orientações do cirurgião, do anestesista e, quando necessário, de um nutricionista.
Medicamentos, suplementos e chás também precisam ser informados
Outro ponto frequentemente negligenciado é o uso de medicamentos e produtos naturais antes da cirurgia.
Algumas pessoas deixam de informar o cirurgião ou o anestesista sobre aquilo que estão utilizando porque acreditam que o produto é inofensivo, porque foi comprado sem receita ou por receio de que o procedimento seja adiado.
Essa omissão pode comprometer a segurança.
Medicamentos, suplementos, vitaminas, fitoterápicos, fórmulas manipuladas e chás podem interferir no organismo de diferentes formas, dependendo da substância, da dose, do tempo de uso e das condições clínicas da paciente.
Entre os possíveis efeitos que precisam ser avaliados pela equipe estão:
- alterações na coagulação;
- aumento ou redução da pressão arterial;
- mudanças na frequência cardíaca;
- interações com anestésicos;
- alterações glicêmicas e metabólicas;
- náuseas, desidratação ou redução da ingestão alimentar;
- interferência na recuperação pós-operatória.
O que precisa ser comunicado à equipe
Durante a consulta pré-operatória, informe todos os produtos utilizados, mesmo aqueles que parecem simples ou naturais.
A lista deve incluir:
- medicamentos de uso contínuo;
- analgésicos e anti-inflamatórios;
- anticoagulantes ou medicamentos que interferem na coagulação;
- anticoncepcionais e terapias hormonais;
- medicamentos utilizados para emagrecimento;
- medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1;
- termogênicos e supressores de apetite;
- vitaminas e minerais;
- ômega 3 e outros suplementos;
- fitoterápicos;
- fórmulas manipuladas;
- chás de uso frequente;
- produtos naturais utilizados para dormir, emagrecer ou reduzir ansiedade.
Não é necessário decidir sozinho o que deve ser suspenso. Essa avaliação cabe ao cirurgião e ao anestesista.
Nunca interrompa um medicamento de uso contínuo sem orientação profissional.
Produtos naturais não são automaticamente seguros
O fato de um produto ser natural não significa que ele não produza efeitos no organismo.
Chás, extratos, cápsulas e fitoterápicos podem conter substâncias biologicamente ativas e interagir com medicamentos ou com a anestesia.
Até produtos consumidos diariamente, como chá verde, chá preto, compostos termogênicos e suplementos, devem ser mencionados na consulta pré-operatória.
A equipe precisa conhecer tudo o que está sendo utilizado para avaliar a necessidade de manutenção, ajuste ou suspensão antes da cirurgia.
Medicamentos para emagrecimento exigem atenção especial
Medicamentos utilizados para controle de peso, redução do apetite ou modificação do metabolismo precisam ser informados com antecedência.
Alguns desses produtos podem interferir no esvaziamento do estômago, na glicemia, na hidratação, no apetite e na resposta metabólica ao procedimento.
Por isso, o uso deve ser discutido diretamente com o cirurgião e com o anestesista. A orientação pode variar conforme:
- o medicamento utilizado;
- a frequência e a dose;
- o tipo de cirurgia;
- o tipo de anestesia;
- as condições clínicas da paciente;
- e o protocolo adotado pela equipe.
O mesmo cuidado vale para termogênicos, fórmulas manipuladas e substâncias utilizadas sem acompanhamento profissional.
Hormônios também devem fazer parte da avaliação
Anticoncepcionais, reposição hormonal e outros tratamentos hormonais precisam ser relatados no pré-operatório.
A equipe analisará o tipo de hormônio, o tempo de uso, o procedimento previsto e os fatores individuais de risco.
Não existe uma orientação única aplicável a todas as pacientes. Por isso, qualquer decisão de manutenção ou suspensão deve ser individualizada.
A regra mais importante do pré-operatório
Tudo o que você estiver utilizando deve ser comunicado ao cirurgião e ao anestesista.
Medicamentos, hormônios, vitaminas, suplementos, fórmulas manipuladas, fitoterápicos e chás: se é algo que entra no seu organismo, a equipe precisa saber.
Essa informação permite que os profissionais avaliem interações, riscos e necessidades de adaptação no planejamento cirúrgico.
Em algumas situações, a equipe poderá solicitar a suspensão temporária de um produto, ajustar uma dose, alterar o horário de uso ou adiar o procedimento até que existam condições mais seguras.
O adiamento de uma cirurgia, quando necessário, não representa um fracasso. É uma decisão de proteção à paciente.
Não esconda informações por medo de a cirurgia ser adiada
Algumas pacientes omitem medicamentos ou suplementos porque têm receio de perder a data do procedimento.
No entanto, esconder uma informação pode aumentar riscos que poderiam ser identificados e controlados antecipadamente.
A equipe não precisa apenas saber que determinado produto está sendo usado. Também é importante informar:
- o nome do produto;
- a dose;
- a frequência de uso;
- há quanto tempo está sendo utilizado;
- quem indicou;
- e quando foi tomada a última dose.
Quando possível, leve fotografias das embalagens, receitas e fórmulas utilizadas.
Segurança depende de uma comunicação aberta
O pré-operatório é um trabalho conjunto entre paciente, cirurgião, anestesista e demais profissionais envolvidos.
A comunicação precisa ser clara, completa e honesta.
Essa troca permite:
- identificar fatores de risco;
- organizar a suspensão ou manutenção de medicamentos;
- planejar a anestesia;
- reduzir a possibilidade de interações;
- orientar alimentação e hidratação;
- preparar a recuperação pós-operatória;
- e aumentar a segurança em todas as etapas.
Uma cirurgia segura começa muito antes da entrada no centro cirúrgico.
Checklist para a consulta pré-operatória
Antes da consulta, prepare uma lista com:
- todos os medicamentos utilizados;
- anticoncepcionais e hormônios;
- suplementos e vitaminas;
- chás e produtos naturais;
- medicamentos para emagrecimento;
- alergias conhecidas;
- cirurgias anteriores;
- histórico de sangramento ou trombose;
- doenças e tratamentos em andamento;
- hábitos alimentares recentes;
- dietas restritivas ou períodos prolongados de jejum;
- qualquer sintoma apresentado nos dias anteriores.
Quanto mais completa for essa informação, mais individualizado poderá ser o planejamento.
Informação também faz parte do cuidado
O medo da anestesia e da cirurgia não deve ser ignorado. Ele precisa ser acolhido e esclarecido.
Quando a paciente entende o processo, conhece os cuidados necessários e mantém uma comunicação aberta com a equipe, ela participa ativamente da própria segurança.
O objetivo do pré-operatório não é criar medo, mas identificar riscos evitáveis e preparar o organismo para uma recuperação mais tranquila.
Não faça dietas radicais, não suspenda medicamentos por conta própria e não esconda da equipe aquilo que você utiliza.
Transparência, preparo e acompanhamento profissional são fundamentais antes, durante e depois da cirurgia.
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Na consulta pré-operatória do IFISP, você recebe orientações individualizadas sobre preparação, cuidados, rotina e recuperação pós-cirúrgica.
Iranilda Moha
Fisioterapeuta Mestra
Especialista em pós-operatório de cirurgias plásticas
Fundadora do IFISP e criadora do Método Moha
📍 Cascavel – Paraná
Observação: este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui a avaliação do cirurgião, do anestesista ou dos demais profissionais responsáveis pelo procedimento. Não inicie, altere ou suspenda medicamentos, hormônios, suplementos ou produtos naturais sem orientação da equipe assistente.

