Após uma cirurgia, é natural surgirem dúvidas: o que posso fazer? Quais movimentos devo evitar? Como respirar, caminhar ou levantar da cama com segurança?
Essas inseguranças são frequentes nos primeiros dias do pós-operatório. Muitas pacientes chegam ao consultório com receio de se movimentar, respirar profundamente ou realizar atividades simples da rotina.
No entanto, quando corretamente indicados, alguns exercícios simples, seguros e importantes podem contribuir para a recuperação, favorecer a respiração, estimular a circulação e reduzir o risco de complicações relacionadas à imobilidade.
Essas orientações fazem parte da rotina de acompanhamento no IFISP e são adaptadas conforme o tipo de cirurgia, a fase da recuperação e as condições clínicas de cada paciente.
Movimentar-se faz parte da recuperação
O repouso é importante após uma cirurgia, mas isso não significa permanecer completamente imóvel.
A ausência de movimento por períodos prolongados pode dificultar a expansão pulmonar, reduzir a circulação, aumentar o desconforto e favorecer o acúmulo de edema.
Por isso, quando há liberação da equipe responsável, movimentos leves e orientados podem ser incorporados gradualmente à rotina.
O objetivo não é fazer esforço, mas ajudar o organismo a recuperar suas funções com segurança.
1. Exercício de expansão pulmonar
Inspire lentamente pelo nariz e solte o ar pela boca, sem pressa. Durante a respiração, perceba a expansão do tórax e o movimento suave do abdômen, respeitando o limite permitido pela cirurgia.
Esse exercício pode contribuir para:
- melhorar a expansão dos pulmões;
- favorecer a oxigenação do organismo;
- reduzir a sensação de respiração curta;
- auxiliar na prevenção de complicações respiratórias;
- promover relaxamento e consciência corporal.
A respiração deve ser confortável e não pode provocar dor intensa, tontura ou falta de ar.
2. Movimento suave dos braços
Associar a respiração a movimentos leves dos braços pode estimular a mobilidade do tórax e das costelas, facilitando uma respiração mais ampla.
Uma possibilidade é inspirar enquanto os braços são elevados suavemente até a amplitude permitida e expirar durante o retorno.
O movimento deve ser:
- lento;
- controlado;
- sem compensações;
- sem esforço brusco;
- e adaptado ao tipo de cirurgia realizada.
Após cirurgias de mama, tórax ou braços, a amplitude precisa ser definida com ainda mais cuidado. A paciente não deve forçar o movimento nem tentar alcançar rapidamente a mobilidade que tinha antes da cirurgia.
3. Exercícios para ativar a circulação
Nos primeiros dias de menor mobilidade, movimentos simples dos pés e tornozelos ajudam a estimular a circulação dos membros inferiores.
Um exemplo é elevar os calcanhares, permanecendo na ponta dos pés, e retornar lentamente. O exercício também pode ser realizado na posição sentada, conforme a condição da paciente.
Outras possibilidades incluem:
- movimentar os tornozelos para cima e para baixo;
- realizar pequenos círculos com os pés;
- alternar suavemente a flexão e a extensão dos joelhos;
- realizar caminhadas curtas quando houver liberação.
Esses movimentos podem favorecer o retorno circulatório, reduzir a sensação de peso nas pernas e diminuir os efeitos da imobilidade.
Os exercícios auxiliam na prevenção, mas não substituem as medidas médicas indicadas para reduzir o risco de trombose.
4. Caminhadas leves e progressivas
Quando autorizada, a caminhada leve é uma das atividades mais importantes no pós-operatório.
No início, pequenos trajetos dentro de casa já podem ser suficientes. O tempo e a distância devem aumentar gradualmente, de acordo com a tolerância da paciente.
Durante a caminhada, é importante observar:
- a postura orientada para o procedimento realizado;
- a presença de tontura ou fraqueza;
- o aumento da dor;
- a sensação de falta de ar;
- o comportamento da ferida e dos drenos;
- a necessidade de apoio ou acompanhamento.
A caminhada não deve ser utilizada como teste de resistência. O objetivo inicial é estimular o organismo de forma gradual e segura.
5. Como levantar da cama com mais segurança
Levantar-se de maneira brusca pode aumentar a dor, gerar tensão sobre a região operada e provocar tontura.
De forma geral, a paciente pode ser orientada a:
- dobrar os joelhos, quando permitido;
- virar o corpo para o lado em bloco;
- aproximar-se da lateral da cama;
- usar os braços como apoio, respeitando as restrições cirúrgicas;
- sentar-se lentamente;
- aguardar alguns segundos antes de ficar em pé.
Essa orientação deve ser adaptada ao procedimento. Após cirurgias abdominais, mamárias ou associadas, a estratégia pode precisar de ajustes específicos.
Exercícios simples não significam exercícios sem critério
Mesmo movimentos considerados leves precisam ser orientados de acordo com o quadro clínico.
Antes de recomendar um exercício, o profissional deve considerar:
- o tipo e a extensão da cirurgia;
- o tempo transcorrido desde o procedimento;
- a condição da ferida operatória;
- a presença de drenos;
- a intensidade da dor;
- a capacidade respiratória;
- a mobilidade da paciente;
- as orientações do cirurgião;
- e a presença de sinais de alerta.
O exercício adequado para uma paciente pode não ser indicado para outra, mesmo quando ambas realizaram cirurgias semelhantes.
Quando interromper o exercício
A atividade deve ser interrompida quando provocar ou estiver acompanhada de:
- dor intensa ou progressiva;
- falta de ar;
- tontura ou sensação de desmaio;
- palpitações;
- sangramento;
- aumento repentino do edema;
- alteração importante na ferida;
- dor ou aumento de volume em uma das pernas;
- qualquer sintoma diferente do esperado.
Nessas situações, a paciente deve interromper a atividade e entrar em contato com a equipe responsável.
Orientação individualizada é essencial
Cuidar do corpo no pós-operatório faz parte da recuperação. Respiração, circulação, postura e mobilidade precisam ser estimuladas, mas sempre dentro dos limites de cada fase.
Não existe uma sequência universal de exercícios que possa ser aplicada automaticamente a todas as pacientes.
A conduta segura é aquela baseada em avaliação, orientação profissional e progressão individualizada.
No pós-operatório, movimentar-se com segurança é diferente de fazer esforço.
O exercício deve favorecer a recuperação, respeitar o procedimento realizado e ser ajustado à resposta de cada paciente.
Para profissionais: aprenda a orientar com segurança
Para fisioterapeutas e profissionais da saúde, não basta conhecer uma lista de exercícios. É necessário compreender quando indicar, como executar, quais adaptações realizar e quando interromper a atividade.
Nas formações práticas do IFISP, o profissional desenvolve habilidades como:
- avaliação do movimento no pós-operatório;
- identificação de compensações e limitações;
- correção de vícios de pressão e manuseio;
- ajuste da amplitude e da profundidade das técnicas;
- orientação de exercícios respiratórios e circulatórios;
- progressão segura da mobilidade;
- aplicação correta das condutas;
- análise clínica com pacientes reais;
- reconhecimento de riscos e sinais de alerta;
- tomada de decisão individualizada.
A proposta não é apenas ensinar o profissional a executar. É desenvolver a capacidade de avaliar, decidir e conduzir cada fase da recuperação com segurança e excelência.
Formação prática em pós-operatório de cirurgias plásticas
No Curso de Raciocínio Clínico no Pós-Operatório de Cirurgias Plásticas, o profissional aprende a:
- conduzir a drenagem com objetivos clínicos definidos;
- auxiliar no controle do edema e da dor;
- prevenir e tratar alterações teciduais dentro de sua competência;
- identificar riscos e sinais de alerta;
- diferenciar situações que exigem mudança de conduta;
- compreender a recuperação nas diferentes fases;
- abandonar protocolos automáticos;
- desenvolver raciocínio clínico e autonomia profissional.
As atividades práticas permitem observar, avaliar e discutir casos reais, com acompanhamento direto da fisioterapeuta mestra e especialista em pós-operatório de cirurgias plásticas Iranilda Moha.
Aqui, você não aprende apenas a fazer. Você aprende a fazer certo, com critério, responsabilidade e consciência clínica.
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Iranilda Moha
Fisioterapeuta Mestra
Especialista em pós-operatório de cirurgias plásticas
Fundadora do IFISP e criadora do Método Moha
📍 Cascavel – Paraná
Observação: este conteúdo possui finalidade educacional e não substitui a avaliação individual, as orientações do cirurgião ou o acompanhamento da equipe responsável. Os exercícios devem ser realizados somente quando autorizados e adaptados às condições de cada paciente.

